Exclusiva Versus – 10 perguntas sobre BlazBlue
30 de junho de 2009 por Dark Vincent

BlazBlue se aproxima do lançamento oficial em console na América do Norte e ávidos lutadores ao redor do mundo estão ansiosos para colocar suas mãos no jogo enquanto outros demonstram uma certa descrença por um motivo ou outro. No entanto, praticamente todos têm alguma curiosidade acerca do game. Embora já esteja disponível nos Arcades japoneses desde Novembro do ano passado poucos fora do Japão puderam experimentá-lo pessoalmente. Aqui no Brasil não se sabe de nenhum local onde se tenha acesso a esta versão.
Com isso em mente, nós do Versus entramos em contato com alguém que não só joga BlazBlue desde seu lançamento, como é possivelmente o melhor jogador ocidental do game. Estamos falando do Robert Nagaro, também conhecido como HeartNana ou ‘XCTU’, o único americano a se classificar no campeonato de BlazBlue do Tougeki 2009 – Super Battle Opera (SBO), uma das maiores competições de jogos de luta do mundo que ocorre todos os anos no Japão.
É com grande honra que apresento a vocês a primeira entrevista exclusiva do Portal Versus, com Robert “HeartNana” Nagaro.
- por Thiago “Dark Vincent” Leite
Dark Vincent: O que você consideraria como o atributo mais forte de BlazBlue que o difere de outros jogos de luta lançados até agora?
HeartNana: Acredito que o fato de que é extremamente bonito, enquanto jogo de luta 2D, e bem fácil de aprender.
DV: A série Guilty Gear, trabalho anterior da Arc System Works, foi aperfeiçoado através dos anos e ainda é jogado competitivamente até hoje. Esse é um forte legado que só os melhores dentre os melhores conseguiram alcançar. Da perspectiva de um jogador de alto nível como você, você acha que BlazBlue é sólido o suficiente para permanecer competitivo e jogado em grandes torneios ao longo dos próximos anos?
HN: Enquanto jogo único, assim como a maioria dos outros jogos, eu acho que não, mas se a ASW fizer o que fizeram com GG e continuarem fazendo upgrades no sistema, adicionando novos personagens, e simplesmente tornando-o cada vez mais divertido, eu acho que pode continuar por anos.
DV: Você me disse que não jogava Guilty Gear antes de BlazBlue. Porque não?
HN: Bom, eu joguei GG um pouco na época do #Reload. Eu cheguei a participar de alguns torneios, mas nunca fui lá essas coisas. Quanto ao Accent Core, eu joguei muito pouco em Chicago, mas foi apenas porque outras pessoas estavam jogando. A razão principal que me fez não jogá-lo tanto foi devido ao fato de que não havia nenhum personagem em particular que me chamasse a atenção. Normalmente, em jogos de luta, eu gosto de um personagem baseado na sua aparência ou estilo de jogo, mas não havia nada disso em AC para mim, então eu não tinha motivação para jogá-lo.
DV: Ok, isso me leva à próxima pergunta. Muitos jogadores por aí afora se prendem no jargão de “sucessor espiritual de Guilty Gear” para justificar suas expectativas em torno do novo game. Alguns acham que uma vez que eles sabem tudo sobre GG, a transição para BlazBlue será natural e eles terão uma grande vantagem sobre aqueles que não jogaram a franquia anterior da ASW. Alguns outros, no entanto, acham que uma vez que eles não gostaram de Guilty Gear ou não conseguiram se acostumar com sua jogabilidade, descartam BlazBlue sob a crença de que é apenas “mais do mesmo”, no sentido negativo da frase. De forma geral, eu sinto que o jogo parece um pouco intimidador à primeira vista com tantas barras e informações para seguir e uma dúzia de manobras diferentes para aprender afim de pelo menos se mover corretamente. De qualquer forma, como você visualiza esses pontos de vista? Você tem alguma coisa a dizer com relação a sua própria experiência aprendendo BlazBlue?
HN: Bem, mais do que experiência com Guilty Gear, eu acho que experiência com jogos de luta 2D em geral tem uma grande influência em se tornar bom em BlazBlue. Os jogadores top de GG são simplesmente bons em jogos de luta 2D em geral, então não deveria ser tão difícil para eles compreenderem BlazBlue como seria para alguém que não tem experiência nesses jogos. Eu acho que as pessoas tendem a confundir “ser bom em GG = poder ser bom em BB” com “ser bom em jogos de luta 2D = poder ser bom em BB”. É verdade que muitos jogos lançados hoje em dia são “mais do mesmo”. Eles tendem a enfatizar combos, tem bastante movimentação e coisas LOUCAS mesmo acontecendo. Eu tenho que concordar que se você não gosta desse tipo de jogo, BB não vai mudar seu ponto de vista, mas eu ainda acredito que seja relativamente fácil de se pegar o jeito. Apesar de que como você sabe, diversão é relativo. Quanto a minha própria experiência em BlazBlue, eu comecei tratando-o como um novo jogo, jogando com um personagem novo que podia fazer coisas diferentes de outros jogos de luta. Dali por diante, eu simplesmente continuei jogando, comecei com combos fracos, mas lentamente, eu estava começando a ganhar e já era capaz de compreender o que estava acontecendo. Para mim, não foi tão intimidador porque quando eu comecei a jogar nem todo mundo estava usando todas essas apelações, outras pessoas ainda estavam entendendo o jogo também, e então enquanto outras pessoas melhoravam, eu simplesmente melhorava com elas sem realmente pensar “OK EU VOU CORRER PELO OURO!”. Eu não queria perder, claro, mas minha mentalidade quando jogava não era de “EU TENHO QUE SER SUPER BOM NISSO!”. Isso simplesmente aconteceu, e eu não acho que tenha qualquer relação com alguma coisa além das minhas experiências anteriores com jogos de luta e o fato de BlazBlue e, mais importantemente, Noel, simplesmente “clicaram” comigo.
DV: Algumas pessoas estão preocupadas que a seleção de personagens é muito pequena, mas ao mesmo tempo eu tenho que lembrá-las que para a maioria dos jogos de luta com uma vasta seleção de personagem, somente alguns poucos são jogados de maneira competitiva. Como você se sente com relação aos personagens de BlazBlue? Você acha que os 12 personagens são equilibrados para competição em todos os níveis ou existem discrepâncias que deveriam ser atentadas?
HN: Eu acho que 12 personagens é um bom começo. A medida que a série progredir, haverão mais, e eles com certeza não irão remover personagens. No entanto, quanto ao equilíbiro, para a primeira versão do jogo eu diria que é muito bom. Porém, como um todo, eu acho que é bem desequilibrado. Alguns match-ups no jogo são absurdos e eu acredito que alguns dos personagens requerem muito pouco pensamento para distribuir danos elevados e se colocar em situações vantajosas, enquanto outros personagens tem que trabalhar duro pela chance de sequer atingir o oponente. Pode parecer óbvio, mas os personagens que tem um monte de coisas na tela e atacam com coisas que não sejam seu próprio corpo são os que estão dominando (V-13, Arakune, Rachel). Eu tenho que admitir que é muito frustrante às vezes, especialmente contra Nu*, porque não só ela pode me atingir com força do outro lado da tela, como ela também pode fugir facilmente, tem normais de alta prioridade e um dos danos mais altos do jogo. Eu estou torcendo que haja um upgrade em breve que torne as coisas mais equilibradas porque esse é um jogo realmente divertido a não ser pelo óbvio problema dos “top tiers serem bons demais”.
*Nu é a pronúncia correta para V-13, esse ‘V’ vem de uma letra grega cuja pronúncia é “Nu”.
DV: Quem é o sua personagem principal em BlazBlue e porque você escolheu ele/ela? Você tem algum secundário?
HN: Minha personagem principal têm sido a Noel desde o primeiro dia. Eu vi um desenho preview para ela e adorei o design da personagem. Eu tenho jogado com “Gun Girls” (garotas com armas de fogo) recentemente em jogos de luta (Petra em Arcana Heart 2, Shion em Melty Blood, Saki em Tatsunoko vs Capcom, e alguns poucos donjon games onde há garotas com armas de fogo, também), então Noel se encaixou perfeitamente. Ela simplesmente parecia muito fofa (e eu adoro coisas fofas!), e eu também gosto bastante da boina dela, que foi um fator definitivo pra mim, haha. No entanto, isso geralmente não funciona no longo prazo, porque após JOGAR o jogo, eu acabo mudando de personagem várias vezes porque eu encontro um personagem para se adequar a minha forma de jogar, mas aconteceu que a Noel não só era atraente para mim, como também absolutamente perfeita para a forma como eu jogo. Quanto a secundários, eu estou usando Taokaka de vez em quando, embora eu nunca vá trazê-la aos torneios, porque chegou ao ponto que quando eu estava nos Arcades e haviam pessoas jogando comigo, elas não eram “meio” ruins, elas eram ruins, MUITO ruins, do tipo que aprende os movimentos olhando a movelist impressa na cabine, então eu decidi que eu precisava de outra personagem só para brincar contra oponentes de baixo nível. Os combos da Taokaka são divertidos e eu gosto do design dela também, ela é hilária! Então eu segui com isso.
Acima: HeartNana em sua partida mais recente (segunda luta no vídeo)
DV: Qual é a sua recomendação aos novos jogadores iniciando no jogo, em termos de escolha de personagem?
HN: Eu recomendo jogar com o personagem que você quer jogar. Várias pessoas acham que podem aprender um personagem “fácil” e então simplesmente trocar para o mais difícil quando elas se acostumarem com o sistema, mas eu acho que essa é a forma errada de fazer as coisas. Eu acho que se você joga um personagem que você quer desde o começo, então será mais fácil entender o jogo pela perspectiva de alguém jogando aquele personagem. Muitas vezes, pessoas irão jogar um personagem fácil e então elas tentarão trocar para um personagem mais difícil, o negócio é que, quando elas trocam, elas vão começar a perder BASTANTE. Não é como SF4, os personagens são muito diferentes entre si, tanto em termos de combo como movimentos. Há bem mais combos e variáveis situacionais em BB, então se você não consegue executar esses combos situacionais, você está desperdiçando dano, e se você estivesse jogando com aquele personagem desde o início, você entenderia essas variáveis situacionais muito melhor. Então depois que eles começam a perder, eles irão entender que o personagem É difícil, e conhecer o sistema de BlazBlue não torna mais fácil a aprendizagem de um personagem difícil, e eles acabam seguindo com o personagem fácil que eles podem nem gostar de jogar. Se você não está nem jogando com o personagem que você quer jogar, então porque continuar jogando esse jogo? É assim que eu vejo, pelo menos.
DV: Quantas horas por semana você se dedica ao jogo para manter suas habilidades sempre em um nível alto?
HN: Bem, antes do lançamento em console (5 dias atrás, no Japão), eu jogava basicamente nos finais de semana apenas. Eu trabalho 5 dias por semana, e o arcade mais próximo fica a 2 horas de viagem, então não vale a pena ir para o arcade às 16:30, chegar às 18:30, e sair lá pelas 21:00 para pegar o ônibus/trem de volta. É caro fazer isso, e de toda forma eu estou muito cansado do trabalho para fazer isso com frequência. Então eu geralmente só jogo nos finais de semana. Dependendo do final de semana eu jogo mais, ou menos. Eu diria que em média eu jogo 8 hors por semana. Houveram semanas em que eu quase não joguei, devido a outras atividades, ou estava doente, ou jogando outros jogos, e há finais de semana em que eu gastei o dia inteiro simplesmente passeando pelo arcade.
DV: Apesar de ser um jogador de Arcade, você está ansioso para o lançamento de BlazBlue nos consoles? Com o jogo ainda sendo um pouco recente, você espera que alcançando uma audiência maior ao redor do mundo irá ajudar na revelação de algum tipo de “potencial oculto” que os jogadores de Arcade não encontraram ainda?
HN: Bem, a versão console já saiu por aqui, e eu estava definitivamente ansioso por ela! Porque como eu só vou ao arcade nos finais de semana, isso me dá bastante tempo disponível para jogar durante a semana! Recentemente eu joguei um longo set (mais de 30 partidas!) contra o Jin do Ren. Ele vive em Tokyo, e por causa da versão console, eu pude jogar com ele. Isso faz uma grande diferença pra mim, podendo jogar contra pessoas online, porque não só eu consigo jogar durante a semana (às vezes eu ficava com muita vontade de jogar em uma terça ou quarta-feira qualquer e não podia porque era muito distante), mas também significa que posso usar meus finais de semana para mais do que simplesmente jogar BlazBlue. Se tudo que tinha era o arcade, então eu iria gastar meu final de semana inteiro jogando e não teria muito tempo para fazer outras coisas. Quanto aos consoles alcançarem um público maior ao redor do mundo? Sim, eu acho que isso acontece sim, mas eu não vejo o nível de jogo superando o cenário dos arcades. Há tanta gente jogando nos arcades, e atualmente eu diria que os japoneses são os mais fortes no jogo, então eu acho que para outros países superarem eles por causa do online é bastante duvidoso. Arcades com bastante competição são simplesmente muito poderosos. A versão console me ajuda sim, pessoalmente, porque eu posso aprender detalhes de certos match-ups nos dias de semana também, mas eu não acho que irá mudar muito para os outros jogadores japoneses além de poupá-los dinheiro por não ter que pagar para jogar, e a conveniência de não ter que sair de casa para ir aos arcade.
DV: Como eu lhe falei antes, a cena de jogos de luta é relativamente pequena no Brasil, ainda mais se nós considerarmos a barreira de preço dos next-gen que atrapalha a adesão da maioria das pessoas por aqui. Um PS3 chega a custar até 900 dólares em alguns lugares e esse é o console mais barato por aqui, só para se ter uma idéia. No entanto, mesmo com tudo isso, nós temos alguns jogadores muito dedicados, alguns dos quais já foram para grandes eventos como o EVO World. Aqui no Versus nós promovemos vários eventos nossos assim como também apoiamos iniciativas como o EVO South America. Então dito tudo isso eu gostaria de perguntar a você. Você tem algum conselho a dar para brasileiros jogadores de BlazBlue que aspiram alcançar “Nível de Torneio”?
HN: Eu sugiro que se você realmente quer isso, simplesmente não desista. Um problema crucial que muitos jogadores tem é que se algo é “overpower” (ex: Nu), eles vão simplesmente dizer que ela é “apelona” e reclamar e se sentir desencorajados, mas sem fazer nada quanto a isso e sem colocar nenhum esforço em aprender o match-up. Os jogadores top dos personagens de tier inferiores aqui não desistem, eles continuam jogando com seus personagens faça chuva ou faça sol. Então se você realmente quer subir de nível, siga com seu personagem e não simplesmente troque para um top tier porque essa é a opção “mais fácil”. Apesar de ser legal ter um personagem secundário, se você está counter-matching contra alguém e trocando de personagens, você não está realmente se esforçando tanto quanto se você estivesse jogando com seu personagem. No fim, porque você está tão acostumado em se esforçar para vencer, você realmente vai melhorar de toda forma, e todos irão melhorar também.
DV: Muito obrigado pelo seu tempo. Nós do Portal Versus estamos torcendo pela sua performance no SBO. Boa sorte Rob, de todos os lutadores brasileiros.
HN: Obrigado, espero que vocês curtam o jogo, e obrigado por sempre me apoiar!
Para a entrevista original ou mais informações a respeito de Robert “HeartNana” Nagaro, visite o seu blog (em inglês): http://arcanaheartnana.blogspot.com/
Tags: Arcade, BlazBlue, dark vincent, Entrevista Exclusiva, HeartNana, portal versus, ps3, X360, XCTU
Este post foi publicado em terça-feira, 30/junho/2009 às 18:03 na(s) seção(ões) Artigos. Você pode acompanhar as respostas a este post através do feed RSS 2.0. Você pode deixar um comentário ou fazer um trackback do seu próprio site.

