Então, Old, a gente concorda. Nego joga jogo da Capcom por ser da Capcom, ou seja, por ter os personagens da Capcom/"marcas" da Capcom. O que não tá errado, na real. Eu voltei pros fighting games com SFIV por ter jogado A2 e A3 um tanto e curtir a Rose, o Gen e o Adon - e também por não ter Tekken pra PC. É natural. Só é chato, como pessoal já expôs acima, quando o cara só joga jogos atuais da Capcom, reclama de tudo sobre eles mas não tenta algo diferente nem a pau. Não precisa nem ser um anime fighter, vai pro 3D, volta no tempo e joga o que tem no GGPO, sei lá.
Quanto à estética, eu concordo com o Inso. Se tu não curtiu, não tem muito o que fazer, e daí é questão pessoal saber se o gameplay contrabalanceia este problema. Só que tem gente que resolve argumentar E ESSE JOGO DE HENTAI AÍ usando avatar da CAMMY, que tem uma das roupas mais apelativas da história dos fighting games, ou jogando algo que tem a C.Viper, a Morrigan, a Felicia, isso sem nem falar do Mortal Kombat, né...Cara, a não ser que tu esteja falando de, sei lá, DEAD OR ALIVE ou Arcana Heart - que é um jogo que eu não jogo por medo de cair em alguma lista da Polícia Federal -, como jogador de QUALQUER jogo de luta tem alguns argumentos de estética ou caracterização que cê não pode usar para atacar outros jogos do estilo. Tu não tem exatamente um gosto visual superior por jogar Street Fighter, na moral.
Mas no geral pessoal da cena brasileira é mais tranquilo com isso, é mais um problema gringo/de stream monster. O problema é fazer gente ver que existe vida além do Street e Marvel, e que o jogo não é ruim só por não ter o Ryu.
EDIT: ah, só pra deixar mais claro, esse "tu" não é dirigido a ti, Old. :-P Só pra evitar confusões mesmo.
EDIT 2: eu não tenho aula amanhã de manhã mesmo então vou elaborar um pouco mais a questão da estética do meu ponto de vista,
no que tange aos anime fighters. Não é todo mundo que gosta do estilo e do gênero "anime", por mais aberto que esta definição seja. Tipo, eu sou uma dessas pessoas, vi poucas coisas dentro do estilo que me cativassem, e o único anime serial que eu recomendo como eu recomendo filmes é Cowboy Bebop
por que eu sou putinha de jazz e de faroestes e do Firefly. Porém, eu sempre fico com um pé atrás quando alguém fala "ah é muito ANIME isso aí não vou jogar". Cara, todos os jogos da Capcom são ANIME. O SSFIV:AE tem um MALDITO SUPER SAIYAJIN, pelo amor de São Jefinho padroeiro das nóia. O World Warrior é todo calcado em estereótipos no melhor estilo Japão da década de 90. Véi, o Vampire Savior tem UMA MULHER GATO E UM VAMPIRO QUE TRANSFORMA HOMEM EM MULHER MEU. É tipo Ranma 1/2 essa joça (acho que era esse o anime, dava no Cartoon há um puta tempo).
Acho que pelo jogo estar no Ocidente há tanto tempo pessoal nem considera mais o design da Chun ou do Blanka como anime, ainda mais se comparados com jogos ainda mais estilizados e recentes como o Blazblue que chegam a ter GAROTAS MÁGICAS. Mas nego adora atirar esse termo como crítica de estilo até quando ele não se aplica, ou pelo menos se aplica tanto quanto aos jogos da Capcom. I.E, Skullgirls. O estilo é até bem obviamente inspirado nos cartoons da década de 20 e 30, tanto que a maioria da arte do jogo, incluindo aí a GUI, o HUD, os menus, cenários, etc, é inspirada em Art Déco e em filmes noir/cinema da época. Mas o jogo é independente e só tem personagens femininas com olhos grandes então ESSA PORRA É HENTAI. Não que Skullgirls não tenha influências de animação japonesa, mas a estilização está bem mais próxima dos cartoons do que do anime. Pode falar mal da estética ou não jogar por causa dela, mas por favor, pelo menos usem os argumentos corretos. Persona também é uma série que é tão japonesa quanto o Street e é até menos exagerada nos clichês do gênero "anime", mas tá sofrendo preconceito.
(Como disse antes, até acho que aqui no Brasil a questão da estética nem seja tão importante, já que a maioria do povo que joga fighting games cresceu vendo DBZ, Cavaleiros do Zodíaco, Jaspion e outras amarelices. Falo mais pela experiência com estrangeiros que tenho, mas é um ponto importante.)
Também tem a questão da associação dos "anime" fighters com doujin fighters, e a ideia de que esses jogos são menos "polidos" ou feitos só como fan-service, o que, sejamos sinceros, é verdade na grande maioria dos casos. Só que alguns jogos quebraram essa barreira - ou então nunca foram doujins/fan-service mas por serem independentes acabaram sendo jogados no mesmo poço. Eu tenho a impressão que muito do preconceito com a estética vem disto, de bater o olho, ver que é jogo em 2D e "anime" e pensar "putz, isso vai ser uma merda, o Street Fighter EX12 vai ser bem melhor". Ainda mais quando o jogo é visto na fase pré-alpha: quem vê um jogo da Capcom, ou da SNK, ou da Namco pré-alpha pensa: ah, tem problemas mas é claro que ainda tem muito tempo pra refinar. Quem vê um jogo independente ou de empresa menor, mesmo que tenha designers gabaritados, pensa: vai ser bem ruim essa merda. Tem até um post do Comboman depois de jogar a primeira build do Skullgirls - que só tinha um boneco e era só pra atrair investimentos - no tópico do jogo que ilustra isso.
Até poderia tocar na questão da imagem dos personagens femininos dentro dos doujins - já que o excesso de personagens femininas fofas é algo que afasta muita gente do subgênero -, do que é apelativo x o que não é, de como pessoal releva isso bem mais em jogos mainstream embora seja quase tão exploratório quanto na maioria dos anime games - oi Mortal Kombat tudo bom -, mas eu já tenho minha cota de discussões sobre representações midiáticas de gênero cursando Comunicação Social e lidando com "ativistas de porra nenhuma". Além disso, eu já dei minha pontada pré-edit e estourei a minha cota de verborragia que deveria estar sendo gasta com resumos da faculdade ou com um guia da Rose.
Editado por Guelerme, 02 abril 2012 - 04:02 .